Fundação ONCE para a solidaridade com pessoas cegas da América Latina
Mais solidários, mais próximos

Isabel Allende

Nesse mundo de mercado e competitividade, a solidariedade fica esquecida. FOAL e ONCE nos mostram como podemos ser solidários.

Isabel Allende é um personagem de destaque na política chilena e forma parte do patronato da Fundação ONCE para a Solidariedade com Pessoas Cegas de América Latina. (FOAL)

Isabel Allende veio a Madrid para participar da reunião do Patronato de FOAL. Quase na hora de entrar para a reunião nos concede esta entrevista, na que em todo momento mostra sua grande sensibilidade com as pessoas deficientes e seu empenho para que as leis ditadas sobre esse tema não fiquem apenas no papel. Sua imagem nos enche de emoção e nos seduz pelo que significa sua pessoa e seu nome, sua palavra nos envolve tanto pelo seu tono como por seus conteúdos.

29/06/2006 - Déborah M. Labrador/FOAL(traduçao de Débora Souto)

Isabel Allende e Débora Labrador

Isabel Allende

"Ele (Carlos Kaiser. Diretor de FONADIS) sabe, melhor que ninguém, das dificuldades de uma pessoa deficiente e nos ajuda a entender que não somos como país uma sociedade verdadeiramente capaz de trabalhar na mudança cultural e ter outra mirada."

Isabel Allende

"Existe pouco acesso tecnológico e a cada uma das formações sobre novas tecnologias, por isso em América Latina se vive esse tema bastante mau."

Começamos perguntando por sua visita a Espanha, na que participa da reunião do Patronato da FOAL, da qual sairão novos estatutos e iniciativas para América Latina

Na realidade, para mim é um honra ser membro do Patronato. É uma enorme oportunidade para aproximar-me de um mundo que, antes da FOAL, não era muito próximo, no que a trabalhar ativamente se refere. Serviu para que eu me aproximasse mais, para formar-me, para conhecer o funcionamento da ONCE e FOAL, e apreciar o que é a solidariedade.

Então estou muito contente. Eu sou deputada do Congresso de Chile há vários anos formo parte da Comissão para a Deficiência (criada há oito anos). Pode ser que, motivados por essa aproximação, nós estamos nesse momento a ponto de iniciar o estudo de uma nova legislação porque, como disse a Ministra de Planificação, responsável da política para deficientes, o enfoque deve ser mudado para centrá-lo mais na perspectiva dos direitos.

Assim, olhar a deficiência desde o direito, direito à integração laboral, social, de acessibilidade, direitos em todos os planos. Existe uma especial sensibilidade do novo Diretor do Fundo Nacional para as Deficiências (FONADIS), Carlos Kaiser, deficiente, e obviamente não está aí por isso, mas por su capacidade. Tem prótese nas duas pernas, e por isso se explica o seu esforço notável, e onde uma pessoa pode chegar a ser se tem uma oportunidade. Ele é o vivo testemunho do que ainda nos falta por percorrer.

Ele sabe, melhor que ninguém, das dificuldades de uma pessoa deficiente e nos ajuda a entender que não somos como país uma sociedade verdadeiramente capaz de trabalhar na mudança cultural e ter outra mirada.

No marginar a nadie, ¿verdad?..

Exatamente, não olha para essas pessoas com compaixão, mas como sociedade brindar verdadeiramente oportunidades, começando pela acessibilidade.

No Chile a maioria dos edifícios possue escadas tornando difícil o acesso.

No geral, como você vê a situação das pessoas deficientes na América Latina atualmente?

Na América Latina, como já sabemos, existem sociedades bastante desiguais e pouco eqüitativas. A distribuição de renda está concentrada. Há setores com muito poder aquisitivo e outros setores com enorme pobreza.

A incapacidade, no geral, afeta muito as pessoas de setores médio-baixos, com poucas possibilidades de aceder ao trabalho, de aceder a reabilitação, pleno emprego, com contratos formais. Portanto, qualquer atividade que faça FOAL é muito bem-vinda.

Existe pouco acesso tecnológico e a cada uma das formações sobre novas tecnologias, por isso em América Latina se vive esse tema bastante mau.

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